Atlas do Voto 2026 · Presidente · 1º turno
Dados oficiais do TSE e do IBGE · portal apartidário

Flávio vence o 2º turno em 91 de cada 100 simulações. Lula, em 9.

Simulamos a eleição de 25 de outubro 200 mil vezes, combinando o resultado de cada uma das 93.961 escolas e prédios de votação do 1º turno, as pesquisas e como os eleitores mudaram de voto em 2022. Na maioria dos cenários, Flávio Bolsonaro fica com cerca de 53% dos votos válidos. Veja o que ainda pode virar o jogo, o mapa do voto escola por escola, o papel da renda, a Lei de Benford nas urnas e como votaram os presídios, sem tomar partido.

Palavras com sublinhado pontilhado têm explicação: passe o mouse ou toque. Os gráficos têm um botão "Como ler".

Por Bruno Rodrigues Gonçalves, físico, que trabalha com ciência de dados e modelagem matemática.

Resultado oficial · votos válidos · 4 out 2026
Flávio Bolsonaro (PL)47,03%
Lula (PT)45,16%
Outros 11 candidatos7,8%
499.206seções eleitorais totalizadas
0,854quanto o voto de uma escola se parece com o das vizinhas (de 0 a 1)
0,72quanto renda do bairro e voto em Flávio andam juntos (de 0 a 1)
91 em 100chance de Flávio vencer em 25/10, segundo nossas simulações
01 · Mapa interativo

O voto, município a município e escola a escola

Arraste para mover, use a roda do mouse ou o gesto de pinça para aproximar. Na camada de locais de votação, cada ponto é uma escola ou prédio onde funcionaram seções, com tamanho proporcional aos votos. A cor pode mostrar quem venceu, a renda do bairro ou os "bolsões" de voto explicados mais abaixo.

Unidade
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Carregando 94 mil locais e 5,5 mil municípios…

Fronteiras: malha municipal IBGE (simplificada). Locais posicionados pelas coordenadas que o próprio TSE publica no cadastro de locais de votação.

02 · Quem venceu onde

Um país dividido quase ao meio, com uma geografia bem marcada

Flávio terminou o 1º turno na frente, mas a vitória dele e a de Lula vieram de lugares muito diferentes. Lula venceu com folga no Nordeste, na zona rural e nas cidades pequenas. Flávio venceu no Sul, no Centro-Oeste, no Norte, na maior parte do Sudeste e nas cidades médias. Nas grandes metrópoles, os dois praticamente empataram.

Estado por estado

Vantagem do vencedor em cada estado, em pontos percentuais dos votos válidos. Passe o mouse para comparar com 2022.

As 27 capitais

Votos válidos de cada candidato. Flávio venceu em capitais e Lula em .

Cidades pequenas, médias e grandes

Votos válidos conforme o tamanho da cidade (população do Censo 2022), e em quantas cidades de cada tamanho cada um venceu.

Cidade e campo

Votos válidos nas escolas da zona urbana e da zona rural, em cada região.

03 · Renda e voto

Quanto mais rico o bairro, mais voto em Flávio, até certo ponto

Para cada local de votação, calculamos a renda média das famílias do bairro em volta, com dados do Censo 2022. Isso descreve o bairro, não cada eleitor.

Do bairro mais pobre ao mais rico, a votação de Flávio sobe sem parar até a classe média alta. Nos bairros mais ricos de todos, ela volta a cair um pouco, e Lula recupera terreno.

Do bairro mais pobre ao mais rico

Dividimos todos os votos do país em 20 grupos do mesmo tamanho, do bairro mais pobre (1) ao mais rico (20).

Ver tabela

Voto por faixa de renda do bairro

Em salários mínimos de 2022 (R$ 1.212). Cada barra soma 100% dos votos válidos.

Ver tabela

Região por região

Votação por faixa de renda dentro de cada região, em 10 grupos do mais pobre ao mais rico. No Norte e no Nordeste a renda divide muito os eleitores; no Sul, Sudeste e Centro-Oeste, Flávio vai bem em quase todas as faixas. FlávioLula

Cada ponto é um local de votação

6 mil locais sorteados. Mais à direita, bairros mais ricos; mais acima, mais voto em Flávio. A linha mostra a média.

Estado por estado

Barra para a direita: no estado, bairros mais ricos votaram mais em Flávio. Para a esquerda: votaram mais em Lula. No Rio de Janeiro e no Distrito Federal acontece o contrário do resto do país.

Outros retratos do bairro

Renda não é o único traço do bairro que acompanha o voto. Usando o Censo 2022, olhamos também a idade dos moradores, quantos adultos não sabem ler e escrever e quantos se declaram pretos ou pardos. Em cada gráfico, os locais de votação foram divididos em cinco grupos do mesmo tamanho, do menor ao maior valor.

Como o voto muda conforme o perfil do bairro

Votos válidos de cada candidato nos cinco grupos de bairros. Passe o mouse para ver os números. FlávioLula

O que mais pesa no voto

Juntos, região, alfabetização, cor/raça, renda e idade explicam das diferenças de votação entre os locais. O gráfico mostra quanto dessa explicação cabe a cada um.

Como ler este resultado

A região do país é o fator mais forte: um bairro do Nordeste e um do Sul com a mesma renda votam de forma muito diferente.

A alfabetização vem logo depois. Onde há mais adultos que não sabem ler, Lula vai muito melhor. Ela pesa mais que a própria renda porque acompanha o voto de forma mais regular, enquanto a renda tem aquela curva que sobe e depois desce nos bairros mais ricos.

A idade quase não pesa: bairros com mais idosos votam só um pouco mais em Flávio.

Esses fatores andam juntos e se sobrepõem, então a divisão é uma partilha justa da parte que eles explicam em comum, não uma medida de causa e efeito.

04 · Vizinhança

Vizinhos votam parecido?

Sim, e muito. Para medir isso usamos o Índice de Moran, uma medida da estatística que compara o resultado de cada escola com o das 8 escolas mais próximas. Vai de −1 a 1. Perto de 1, vizinhos votam igual. Perto de 0, morar perto não diz nada. Abaixo de 0, vizinhos votam diferente.

No 1º turno de 2026 o índice ficou em 0,85, um valor muito alto. Sabendo como votou uma escola, dá para adivinhar com boa precisão como votaram as vizinhas.

Experimente
—

Clique nos quadrados para trocar a cor. A quantidade de cada cor pode ser a mesma e o índice mudar totalmente: ele mede se as cores estão juntas ou espalhadas, não quantas são.

Entre escolas vizinhas—

Entre municípios vizinhos—

Mesmo descontando renda e região—

Para quem quer os detalhes técnicos

Diagrama de espalhamento de Moran

Eixo x: valor do local (padronizado). Eixo y: média dos 8 vizinhos. A inclinação da reta é o I de Moran. Cores mostram os locais com agrupamento significativo.

Teste de permutação

999 redistribuições aleatórias dos valores entre os locais. Nenhuma chegou perto do valor observado (pseudo-p = 0,001, o mínimo possível com 999 permutações).

Sensibilidade à vizinhança

05 · Bolsões

Os bolsões do voto

Um bolsão é uma área onde várias escolas vizinhas votaram em peso no mesmo candidato, de um jeito que não seria obra do acaso. Também procuramos as ilhas: lugares que votaram diferente de toda a vizinhança. No mapa acima, escolha Bolsões para vê-los. Na estatística, essa técnica se chama LISA.

Bolsões por região

De cada 100 locais de votação da região, quantos estão em cada tipo de bolsão.

Bolsões por renda do bairro

Os bolsões de Lula ficam nos bairros de até 2 salários mínimos; os de Flávio, nos bairros a partir de 2.

Renda do bairro e voto dos vizinhos

06 · O que mudou desde 2022

Lula perdeu terreno em quase todo o país

Em 2022, no 1º turno, Lula teve 57,3 milhões de votos e Bolsonaro 51,1 milhões. Em 2026, Lula teve 53,9 milhões e Flávio 56,1 milhões. Comparando município a município, contando só os dois primeiros colocados de cada ano, a fatia de Lula caiu em dos municípios do país.

A queda foi maior nas cidades pequenas, nos municípios mais pobres e no Sul. Nas metrópoles e nas cidades mais ricas, ele perdeu menos. Veja no mapa.

Por região

Mudança na fatia de Lula entre os dois primeiros, de 2022 para 2026, em pontos percentuais.

Por tamanho da cidade

Quanto menor a cidade, maior a perda de Lula.

Por renda do município

Municípios em cinco grupos do mesmo tamanho, do mais pobre ao mais rico. Lula perdeu mais nos mais pobres.

Cada ponto é um município

Fatia de Lula entre os dois primeiros em 2022 (horizontal) e em 2026 (vertical). Abaixo da linha, Lula caiu; acima, subiu.

Onde Lula mais perdeu

Cidades com mais de 100 mil habitantes.

Onde Lula resistiu ou cresceu

Cidades com mais de 100 mil habitantes.

07 · Quem deixou de votar

33 milhões de eleitores não foram votar

No 1º turno, 21 em cada 100 eleitores aptos não compareceram, a maior taxa desde 1998. Outros 6 milhões foram à urna, mas votaram em branco ou anularam. É nesse grupo que está boa parte da disputa do 2º turno: cada eleitor que decide voltar, ou decide ficar em casa, conta tanto quanto um voto que muda de lado.

Por região

De cada 100 eleitores aptos, quantos não votaram.

Por renda do bairro

A falta muda pouco com a renda. Já o voto branco e nulo cai bastante nos bairros mais ricos.

Estado por estado, 2022 e 2026

De cada 100 eleitores aptos, quantos não votaram. O ponto vazio é 2022; o cheio, 2026.

O que isso significa para o 2º turno

08 · Segundo turno · 25 de outubro de 2026

Quem deve ganhar o 2º turno, e por quê

No 1º turno, Flávio terminou na frente com 2,2 milhões de votos de vantagem. Os outros onze candidatos somaram 9,3 milhões de votos, o suficiente para mudar o resultado. A pergunta é para onde esses votos vão agora.

Para responder, olhamos três coisas: onde moram os eleitores de cada candidato que saiu da disputa, como eleitores parecidos se comportaram no 2º turno de 2022, e o que dizem as pesquisas feitas depois de 4 de outubro.

Isto é uma estimativa, não uma certeza. Uma chance de 1 em 10 é pequena, mas acontece. Debates, fatos novos ou um erro das pesquisas ainda podem mudar o quadro até o dia 25.

Quem são os eleitores que ficaram sem candidato

Os quatro mais votados entre os eliminados já declararam apoio a Flávio: Zema no dia 5, Caiado no dia 6 e Augusto Cury no dia 8, este com um termo de compromisso assinado pelos dois. Renan Santos ficou neutro. Entre os sete candidatos menores, três apoiam Lula, um apoia Flávio e três estão neutros.

Os eleitores desses quatro candidatos votaram, em geral, em bairros de renda acima da média, no Sudeste e no Sul, e em lugares onde Flávio já tinha ido bem. Toque em um card para ver no mapa onde cada um teve votos.

Em que tipo de bairro eles votaram

De cada 100 eleitores de cada candidato, quantos votaram em bairros onde Lula domina, onde Flávio domina ou em bairros divididos. A última barra mostra todos os eleitores do país, para comparar.

Em bairros mais ricos ou mais pobres

Quanto cada candidato teve dos votos válidos conforme a renda do bairro, de até 1 salário mínimo a mais de 10. A linha tracejada é o resultado do candidato no país todo.

O que aprendemos com 2022

Pesquisas mostram o que as pessoas dizem; as urnas mostram o que fizeram. Comparando, seção por seção, os votos do 1º e do 2º turno de 2022, dá para estimar para onde foi cada grupo de eleitores. O gráfico abaixo mostra o resultado.

Duas lições. A primeira: apoio declarado muda pouco. Simone Tebet apoiou Lula em 2022, e mesmo assim seus eleitores se dividiram quase ao meio, com um pouco mais indo para Bolsonaro. A segunda: alguns eleitores de Lula do 1º turno não voltaram para votar no 2º, enquanto os de Bolsonaro voltaram quase todos.

De cada 100 eleitores de cada grupo no 1º turno de 2022, o que fizeram no 2º turno

Para onde devem ir os votos agora

Juntando o que as pesquisas perguntaram aos eleitores dos eliminados, o que aconteceu em 2022 e os apoios declarados, esta é a nossa estimativa para cada grupo. Ela não é exata: nas simulações, deixamos esses números variar para mais e para menos.

Como a vantagem de Flávio pode crescer

Cenário mais provável, em milhões de votos. O que soma para Flávio aparece em azul; o que soma para Lula, em vermelho.

O que Lula precisaria para virar

Resultado de Flávio conforme a parte dos eleitores dos eliminados que escolher Lula. A faixa cinza é o que as pesquisas mostram hoje.

Cenários possíveis

Cada linha muda uma suposição. O ponto mostra o resultado mais provável de Flávio naquele cenário, e a barra cinza a faixa onde ele deve cair. À direita, quantas vezes cada um venceria em 100 eleições simuladas.

O que dizem as pesquisas

Pesquisas feitas depois do 1º turno. Quase todas foram a campo antes do anúncio de Cury.

Por que isto pode estar errado

  • Não sabemos como cada pessoa votou, só o total de cada seção. As estimativas valem para grupos, não para indivíduos.
  • 2022 é só uma eleição de referência, e Flávio não é Jair Bolsonaro. Os eleitores de Lula podem comparecer mais desta vez.
  • As pesquisas sobre os eleitores dos eliminados ouviram poucas pessoas de cada grupo.
  • No 1º turno, as pesquisas erraram: deram vantagem a Lula, e Flávio venceu. Não há garantia de que o erro se repita nem de que tenha sido corrigido.
Para quem quer os detalhes técnicos

A migração de 2022 foi estimada por inferência ecológica (regressão de Goodman com restrições, por estado, ponderada pelos aptos) nas seções presentes nos dois turnos, com intervalos de 95% por bootstrap de municípios. A matriz reproduz o 2º turno de 2022 com erro abaixo de 0,1%. A simulação aplica as matrizes regionais aos votos de 2026, sorteia o destino dos eleitores dos eliminados de distribuições Dirichlet e soma três choques aleatórios: oscilação de campanha (DP 1,5 p.p.), retorno dos abstencionistas e repetição da assimetria de comparecimento de 2022. São 200 mil repetições. A chance consolidada mistura meio a meio o modelo estrutural e o de pesquisas.

Matriz de transição 1º → 2º turno, 2022

Percentual de cada linha; entre parênteses, intervalo de 95%.

Distribuição dos 200 mil 2º turnos simulados

Participação de Flávio nos válidos. Linha tracejada: distribuição das pesquisas.

Sensibilidade

Faixa de 10% a 90% quando cada incerteza varia sozinha.

09 · Auditoria estatística

A lei de Benford: os números das urnas parecem naturais?

Em muitas listas de números da vida real, como populações de cidades, contas de luz ou preços de ações, o primeiro dígito não aparece por igual. O 1 abre cerca de 30% dos números; o 9, menos de 5%. Essa regularidade se chama lei de Benford. Auditores a usam para achar balanços inventados, porque quem inventa números tende a espalhar os dígitos por igual.

Desde a eleição do Irã em 2009, a lei passou a ser aplicada a resultados eleitorais, e no Brasil ela reaparece a cada eleição em correntes de redes sociais. Aplicamos os três testes usados na pesquisa científica a todas as — seções eleitorais do país, aos 94 mil locais de votação e aos 5.571 municípios, e comparamos com 2022.

Experimente
—

Cada clique gera 3 mil números. Barras: quantas vezes cada dígito apareceu primeiro. Pontos: o que a lei de Benford prevê. O número grande é o desvio médio (MAD); abaixo de 0,012 é considerado conforme.

O ponto mais importante: a lei de Benford só vale para números que variam por vários tamanhos, de dezenas a milhões. Uma seção eleitoral tem no máximo algumas centenas de eleitores, então o número de votos de um candidato numa urna fica preso numa faixa estreita, e o primeiro dígito não segue a lei mesmo sem nenhuma fraude. Por isso a pesquisa científica usa o segundo dígito e o último dígito, e sempre compara com um controle.
1º dígito · por município—

2º dígito · por seção—

Último dígito · por seção—

Primeiro teste: o primeiro dígito

Nos municípios, onde o número de votos vai de algumas centenas a milhões, os votos de Lula e de Flávio seguem a lei de Benford de perto. Nas seções, não seguem, e nem poderiam: o total de votos de cada urna, que ninguém escolhe, é o que mais se afasta da lei.

Por município

Quantas vezes cada dígito abre o número de votos do candidato no município. Pontos: lei de Benford.

Por seção eleitoral

Mesma conta nas urnas. A faixa cinza mostra o que aparece em 200 eleições simuladas sem fraude, com o tamanho real de cada urna.

Quanto cada contagem se afasta da lei, em cada escala

Desvio médio (MAD) do primeiro dígito. À esquerda da linha tracejada, o padrão é considerado conforme (Nigrini, 0,012). A barra cinza é a faixa das eleições simuladas sem fraude.

Segundo teste: o segundo dígito

O cientista político Walter Mebane propôs olhar o segundo dígito, que é menos afetado pelo tamanho das urnas. Pela lei de Benford, a média do segundo dígito seria 4,19. Em urnas reais ela fica mais baixa, porque muitos números começam com 10, 11, 12… Por isso comparamos cada candidato com as eleições simuladas sem fraude, e 2026 com 2022.

Média do segundo dígito, seção por seção

Ponto: valor observado. Barra cinza: faixa de 95% das 200 eleições simuladas sem fraude. Linha tracejada: lei de Benford (4,19). Candidatos com poucos votos por urna ficam bem abaixo da lei, em 2026 e em 2022.

Terceiro teste: o último dígito

Quando alguém inventa números, costuma repetir alguns finais, como 0 e 5, e evitar outros. Em contagens honestas, cada final de 0 a 9 aparece cerca de 10% das vezes. Esse teste foi proposto por Beber e Scacco (2012), e é o que melhor pega números escritos à mão.

Final dos votos de Lula e de Flávio

De cada 100 seções com 10 votos ou mais, quantas terminam em cada dígito. A faixa cinza é o que acontece em eleições simuladas sem fraude.

Estado por estado

Média do segundo dígito dos votos de Lula (vermelho) e de Flávio (azul) nas seções de cada estado. A barra cinza é a faixa de 99% das simulações sem fraude naquele estado.

O que a lei de Benford pode e não pode dizer

Desvio não é prova de fraude. Estudos com eleições reais e simuladas mostram que contagens limpas podem se afastar da lei, e que fraudes podem passar sem deixar marca nos dígitos (Deckert, Myagkov e Ordeshook, 2011). Os próprios autores do teste do segundo dígito tratam um desvio como sinal para investigar, nunca como conclusão.

Conformidade também não é prova de lisura. Os testes de dígitos só pegam certos tipos de manipulação, como números inventados em massa. Quem garante o resultado são as auditorias da urna e da totalização, e a possibilidade de qualquer pessoa conferir os boletins de urna publicados.

O que os dados mostram.

Para quem quer os detalhes técnicos

Dados. Votação por seção do TSE, cargo Presidente, 1º turno de 2026 ( seções no Brasil; exterior excluído) e 1º e 2º turnos de 2022. Local de votação e município são somas das seções.

Testes. 1º dígito (1BL) em contagens ≥ 1, comparado a log₁₀(1+1/d); 2º dígito (2BL) em contagens ≥ 10, com média esperada de 4,187; último dígito em contagens ≥ 10, comparado à distribuição uniforme. MAD é o desvio absoluto médio entre as proporções observadas e esperadas; limites de Nigrini (2012): 1º dígito 0,006/0,012/0,015 e 2º dígito 0,008/0,010/0,012. O teste qui-quadrado aparece na tabela, mas com centenas de milhares de seções ele rejeita qualquer desvio mínimo, por isso não serve sozinho.

Controle (eleições simuladas sem fraude). Bootstrap paramétrico: cada unidade mantém o seu total real de votos; o percentual esperado de cada candidato é o do grupo a que ela pertence (seção → escola, local → município, município → estado; grupos de uma unidade usam o nível acima); uma variação extra entre unidades (beta-binomial, com correlação ρ estimada pelo método dos momentos) reproduz a dispersão real. São 200 simulações para seções e 100 para locais e municípios. Um valor observado fora da faixa indica que os dígitos não são explicados por esse modelo simples, o que pode vir de fraude, mas também de qualquer característica real do voto que o modelo não capture.

Todos os resultados

10 · Teoria dos grafos

O Brasil como uma rede: territórios, fronteiras e corredores do voto

Um grafo é um conjunto de pontos (nós) ligados por linhas (arestas). Transformamos o mapa num grafo: cada um dos — municípios vira um nó, e cada par de municípios que divide uma fronteira ganha uma aresta. São — arestas no total. Com isso, perguntas sobre o mapa viram perguntas sobre a rede: quem está ligado a quem, quais territórios são contínuos, quantas fronteiras separam uma cidade do território do adversário.

Um detalhe curioso: como nenhuma fronteira cruza outra, o grafo é planar, e pela fórmula de Euler um grafo assim não pode ter média de 6 vizinhos ou mais. No Brasil a média é —.

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Montando o grafo de 5,5 mil municípios…
Vizinhos com o mesmo vencedor—

Assortatividade—

Territórios contínuos—

Fronteiras políticas: as arestas de corte

Uma aresta que liga um município de Lula a um de Flávio é uma aresta de corte: é ali que passa a fronteira política do país.

Vizinhos com o mesmo vencedor

De cada 100 fronteiras entre municípios, em quantas os dois lados tiveram o mesmo vencedor. As barras cinza mostram 999 sorteios em que os vencedores foram embaralhados.

Quantas fronteiras até o território adversário

Distância, em número de fronteiras atravessadas, de cada município até o município mais próximo que votou no outro candidato. Calculada por busca em largura no grafo.

Blocos e ilhas: os componentes conexos

Se apagarmos todas as arestas de corte, o grafo se parte em pedaços. Cada pedaço é um componente conexo: um território em que se vai de qualquer município a qualquer outro sem sair da área do mesmo candidato.

Os maiores territórios contínuos

As maiores ilhas

Municípios que votaram num candidato cercados apenas por municípios que votaram no outro.

Corredores: os pontos de articulação

Um ponto de articulação é um nó que, se retirado, parte o grafo em dois. Nos grandes territórios de cada candidato, eles são os corredores estreitos que mantêm regiões inteiras ligadas ao resto.

Comunidades: as regiões eleitorais que os dados desenham

O algoritmo de Louvain procura grupos de nós muito ligados entre si e pouco ligados ao resto. Demos mais peso às fronteiras entre municípios que votaram parecido, e deixamos o algoritmo desenhar as regiões sem informar estados nem regiões oficiais.

As regiões eleitorais

Em ordem de número de votos. A barra mostra a parte de Flávio entre os dois primeiros colocados.

Para quem quer os detalhes técnicos

Grafo. Malha municipal do IBGE (qualidade intermediária) em projeção policônica (EPSG:5880). Dois municípios são vizinhos se dividem pelo menos 1,2 km de fronteira, com tolerância de 300 m para corrigir pequenas falhas de encaixe da malha simplificada; o resultado é estável para tolerâncias de 150 m a 600 m. Ilhas sem vizinho terrestre: .

Testes de permutação. A fração de arestas com o mesmo vencedor é comparada com 999 embaralhamentos dos vencedores entre todos os municípios e com 999 embaralhamentos dentro de cada estado (que mantêm o placar de cada estado). Assortatividade categórica e numérica de Newman (networkx). O número de componentes é comparado com 99 embaralhamentos dentro de cada estado.

Profundidade. Busca em largura com múltiplas origens a partir de todos os municípios que têm ao menos um vizinho do outro candidato (profundidade 1), andando só por municípios do mesmo vencedor.

Comunidades. Louvain (networkx, semente fixa) com peso exp(−|Δp|/6) em cada aresta, em que p é a parte de Flávio entre os dois primeiros, em pontos percentuais; resolução , escolhida para dar cerca de uma dúzia de regiões; modularidade Q = . Comparação com os estados e as regiões oficiais por informação mútua normalizada (NMI) e índice de Rand ajustado (ARI).

Locais de votação. O mesmo raciocínio no grafo dos locais de votação, ligando cada um aos 8 mais próximos:

Quantos vizinhos tem cada município

Grau de cada nó do grafo. O máximo é .

11 · Presídios e unidades de internação

Como votam os presos que podem votar

Quem está preso sem condenação definitiva, o preso provisório, continua com os direitos políticos e pode votar. O mesmo vale para adolescentes de 16 e 17 anos em unidades de internação. Para isso, a Justiça Eleitoral instala seções especiais dentro dos estabelecimentos. Votam ali os presos e adolescentes que pediram transferência temporária do título, e também funcionários da unidade que fizeram o mesmo pedido.

No 1º turno de 2026 foram — seções desse tipo em — estados, com — eleitores aptos. É um grupo pequeno e não representa toda a população carcerária, mas é o único lugar em que dá para ver, urna por urna, como vota quem está preso. O mapa mostra todos esses locais no país.

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Carregando…
Lula entre os dois primeiros—

Unidades acima da própria cidade—

Razão de chances—

Cada unidade comparada com a sua cidade

O Nordeste vota mais em Lula, e muitas unidades estão no Nordeste. Por isso não basta comparar com o Brasil: comparamos cada seção com o resto do município onde ela fica.

2026 · Lula × Flávio

Cada ponto é uma seção. Na horizontal, o voto de Lula entre os dois primeiros no resto da cidade; na vertical, dentro da unidade. Acima da diagonal, a unidade votou mais em Lula que a cidade.

2022 · 2º turno · Lula × Bolsonaro

A mesma comparação na eleição anterior, com as seções especiais de 2022.

Pode ser acaso?

Seções pequenas variam muito, e algumas de qualquer cidade votam bem diferente do resto. Para medir isso fizemos um teste placebo: para cada seção de presídio, sorteamos uma seção comum da mesma cidade e calculamos a mesma diferença. Repetimos o sorteio — vezes.

Diferença média para a cidade

Barras: os sorteios de seções comuns. Linha: as seções dos presídios.

Todos os votos

Parte de cada candidato, dos brancos e dos nulos em todos os votos, nas unidades e no resto do país.

Por tipo de unidade e por região

Observado e esperado

Ponto cheio: voto de Lula entre os dois primeiros nas unidades. Ponto vazado: o que seria esperado se cada unidade votasse como a sua cidade. O 2º turno de 2022 aparece em cinza para comparação.

O que isso muda no resultado

As maiores seções

Cuidados na leitura

Não é a população carcerária inteira. Só votam os presos provisórios e adolescentes que tinham título, pediram a transferência a tempo e estavam em unidades onde a seção foi instalada. Presos já condenados em definitivo têm os direitos políticos suspensos e não votam. Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul e Acre não tiveram seção desse tipo em 2026.

Não dá para separar presos de funcionários. A urna não distingue quem votou. Parte dessas exceções pode refletir uma presença maior de servidores ou um perfil diferente de preso, como no presídio da Polícia Militar em São Paulo, que recebe policiais.

Diferença não explica a causa. Os presos provisórios são, em sua maioria, homens jovens, pobres, negros e com pouca escolaridade, grupos que já votam mais em Lula fora das prisões. A comparação com a cidade controla a geografia, mas não esse perfil. Os dados mostram quanto o voto difere, não por quê.

Para quem quer os detalhes técnicos

Dados. Cadastro de locais de votação do TSE, seções com tipo de local "Preso provisório" (código 3), 1º turno de 2026 e 1º e 2º turnos de 2022; votação por seção e detalhe da votação por seção (aptos e comparecimento) do TSE. A classificação em presídio, unidade feminina, unidade de internação de adolescentes e presídio militar foi feita pelo nome do local.

Medidas. p = votos de Lula ÷ (Lula + segundo colocado). Diferença = p da seção − p do resto do município (sem as seções de presídio). Esperado = média de p do município ponderada pelos votos de cada seção. Intervalos de 95% por bootstrap com 2.000 reamostragens de estabelecimentos. Testes de Wilcoxon (postos sinalizados) e do sinal nas diferenças por seção. Razão de chances de Mantel-Haenszel com um estrato por seção (seção × resto do município). Vizinhança: os 10 locais de votação comuns mais próximos, no mesmo município, para as unidades com coordenadas.

Placebo. Em cada repetição, cada seção de presídio é trocada por uma seção comum sorteada no mesmo município, e calculamos a diferença média para o município. A faixa dos sorteios mostra quanto essa média varia só por acaso e pela variação normal entre seções.

12 · Laboratório estatístico

O que os dados provam, o que só sugerem e o que não dizem

Mapas e correlações mostram onde cada candidato foi bem, mas não dizem por quê. Bairros pobres votam mais em Lula; isso é por causa da renda, da escolaridade, da cor da pele dos moradores ou da região onde ficam? Para separar uma coisa da outra, esta faixa sobe três degraus de evidência, do mais fraco ao mais forte, sempre com margem de erro.

Degrau 1 · Correlação

Andam juntos?

Compara um fator de cada vez com o voto. Mostra padrões, mas mistura causas: renda, escolaridade e região vêm juntas.

Degrau 2 · Controle

Mantendo o resto igual

Regressão com todos os fatores ao mesmo tempo, comparando bairros da mesma cidade e o mesmo local em 2022 e 2026. Elimina muitas explicações alternativas, mas não todas.

Degrau 3 · Quase-experimento

Causa e efeito

Eleições para prefeito decididas por margem mínima funcionam como um sorteio. Comparar cidades onde a esquerda ganhou ou perdeu por um triz mede o efeito do prefeito no voto para presidente.

Fator mais robusto—

Voto que se repete—

Efeito do prefeito—

Degraus 1 e 2: quando se controla um fator pelo outro

Efeito de cada fator no voto em Flávio

Quantos pontos percentuais a fatia de Flávio entre os dois primeiros muda quando o fator sobe um desvio-padrão. Barras: intervalo de 95%. Da linha de cima para a de baixo, cada modelo controla mais coisas.

O mesmo efeito em cada região

Comparando bairros dentro da mesma cidade. Vermelho: o fator puxa voto para Lula; azul: para Flávio. Casas apagadas: diferença que pode ser acaso (p > 0,05).

Correlação simples com intervalo

Spearman entre cada fator e o voto em Flávio, nos locais de votação. Intervalo por reamostragem de municípios inteiros, que respeita o fato de que vizinhos votam parecido.

O mesmo lugar em 2022 e em 2026

Onde a guinada para a direita foi maior

Mudança na fatia do candidato da direita entre os dois primeiros (Bolsonaro em 2022, Flávio em 2026), em pontos percentuais, quando o fator sobe um desvio-padrão. Valor positivo: o lugar se moveu mais para a direita que a média.

Degrau 3: o prefeito muda o voto para presidente?

O salto no corte

Cada ponto é a média dos municípios numa faixa de margem. À direita da linha, o candidato de esquerda venceu em 2024. Na vertical, quanto Lula mudou de 2022 para 2026.

Teste placebo: 2022

O mesmo gráfico com o voto de Lula em 2022, dois anos antes da eleição para prefeito. Se o método estiver certo, aqui não pode haver salto.

O resultado depende da janela?

Estimativa do efeito usando só os municípios com margem de até X pontos. Barras: intervalo de 95%.

Testes de validade

Coisas que não deveriam saltar no corte. Todas precisam dar perto de zero.

Resumo para analistas

Baixe os dados e refaça as contas

Tudo o que está nesta página pode ser conferido. As bases abaixo trazem os votos oficiais e as características dos bairros, com os códigos do TSE para cruzar com outras fontes.

Para quem quer os detalhes técnicos

Unidade e variáveis. Locais de votação do 1º turno de 2026 com pelo menos 30 votos nos dois primeiros ( locais em municípios). Resposta: fatia de Flávio entre Lula e Flávio, em pontos percentuais. Fatores do setor censitário em volta (Censo 2022): logaritmo da renda média das famílias, adultos que não sabem ler, pretos e pardos, moradores com 60 anos ou mais. Todos padronizados (média 0, desvio 1).

Modelos. Mínimos quadrados ponderados pelos votos. (1) Um fator por vez; (2) todos juntos; (3) com efeitos fixos de estado; (4) com efeitos fixos de município, que compara só bairros da mesma cidade e elimina tudo o que é comum à cidade (prefeito, economia local, história). Erros-padrão agrupados por município. R² (dentro): . I de Moran dos resíduos (8 vizinhos): ; os efeitos fixos de município absorvem a maior parte da dependência espacial, e o agrupamento por município corrige o que sobra dentro de cada cidade.

Painel. Mesmo local de votação (mesmo código do TSE) em 2022 e 2026, descartando locais cujo total de votos mudou mais de 50%: locais. Primeiras diferenças eliminam tudo o que é fixo no lugar.

Regressão descontínua. Eleições para prefeito de 2024 (turno decisivo) em que os dois primeiros foram um candidato de esquerda (PT, PCdoB, PV, PSB, PDT, PSOL, Rede) e um de direita (PL, Novo, PP, Republicanos, União, PRTB): municípios. Variável de corte: margem da esquerda entre os dois. Regressão linear local de cada lado, núcleo triangular, erro-padrão robusto (HC1). Janela principal de pontos, escolhida por validação cruzada (Ludwig e Miller), com robustez de 5 a 25 pontos. Densidade perto do corte por teste binomial (versão simplificada do teste de McCrary). A versão restrita, só PT contra PL, tem disputas, poucas demais para uma estimativa confiável.

Limites. Os fatores dos bairros vêm do Censo e descrevem quem mora em volta da escola, não quem votou nela (falácia ecológica). Renda, escolaridade e cor estão muito correlacionadas entre si, o que deixa os efeitos separados menos precisos. A regressão descontínua mede o efeito só em cidades com disputa apertada entre esses blocos, não em todo o país.

Tabela completa dos modelos

13 · Congresso, Senado e governadores

Quem vencer o 2º turno vai governar com quem?

O presidente não governa sozinho. Leis precisam de maioria na Câmara e no Senado, emendas à Constituição de três quintos, e os governadores comandam a máquina dos estados. Em 4 de outubro o país também escolheu — deputados federais, 54 senadores, — deputados estaduais e distritais e 20 governadores (outros 7 estados decidem no 2º turno). Esta faixa junta tudo isso para responder à pergunta que importa: com que força cada candidato chegaria ao governo.

Para não depender de opinião, os partidos foram classificados só com dados oficiais: a coligação registrada por cada candidato a presidente e, para os demais, com quem cada partido se aliou nas disputas para governador e senador nos 27 estados.

Se Flávio vencer · Câmara—

Se Lula vencer · Câmara—

Senado a partir de 2027—

A nova Câmara

Cada ponto é um deputado federal eleito em 2026. Passe o mouse para ver o partido.

O novo Senado

Os 54 eleitos agora mais os 27 eleitos em 2022, que ficam até 2031.

A conta da governabilidade

Votos que cada presidente teria no Congresso

Da esquerda para a direita: a coligação do presidente, o centro que se aliou a ele nos estados, o centro dividido e a oposição. As linhas marcam maioria absoluta, três quintos (emenda à Constituição) e dois terços (impeachment).

Partido por partido

Governadores: quem manda nos estados

Governadores eleitos e disputas do 2º turno

Cor pelo lado da coligação do governador: com o PL e sem o PT, aliado de Flávio; com o PT e sem o PL, aliado de Lula. Listras: estado com 2º turno.

Senadores por estado

Cada estado tem três senadores. Pontos cheios: eleitos em 2026; vazados: eleitos em 2022.

Estado por estado

Governador eleito ou candidatos no 2º turno, o lado de cada um e quantas cadeiras os partidos da coligação têm na Assembleia Legislativa. Passe o mouse no mapa para destacar.

Voto casado: o presidente puxa deputado?

Flávio e o PL

Cada ponto é um município (amostra de 1 em 3). Na horizontal, Flávio entre os dois primeiros; na vertical, a fatia dos candidatos do PL nos votos para deputado federal.

Lula e sua coligação

O mesmo para Lula e os candidatos a deputado federal dos partidos da coligação dele.

As possibilidades reais

Para quem quer os detalhes técnicos

Dados. Votação por candidato, município e zona do TSE, 2026 e 2022, com a situação de cada candidato (eleito, eleito por quociente partidário, eleito por média, suplente) e a composição das coligações.

Classificação. Coligação de Lula: os partidos registrados na chapa (PT, PCdoB e PV, na federação; PSB, PDT, PSOL e Rede). Coligação de Flávio: PL, único partido da chapa. Para os demais, o índice de alianças nos estados é (coligações com o PL − coligações com o PT) ÷ (as duas somadas), contando todas as candidaturas a governador e senador do 1º turno de 2026. Índice de +0,3 ou mais: centro aliado de Flávio; −0,3 ou menos: centro aliado de Lula; entre os dois: dividido. Os eliminados no 1º turno que declararam voto em Flávio (Augusto Cury, Ronaldo Caiado e Romeu Zema) aparecem na tabela, mas não mudam a classificação dos partidos.

Senado. Os 27 senadores eleitos em 2022 aparecem com o partido pelo qual foram eleitos, ajustado pelas fusões (PSC no Podemos; PTB e Patriota no PRD; PROS no Solidariedade). Trocas de partido individuais depois da eleição não estão nos dados do TSE.

Limites. Coligação eleitoral não é voto no plenário: partidos do centro costumam negociar projeto a projeto, e deputados de um mesmo partido votam de formas diferentes. Os números mostram o ponto de partida de cada presidente, não o resultado de votações futuras. O alinhamento dos governadores segue a coligação formal registrada no TSE; declarações de apoio feitas depois do 1º turno podem ser diferentes.

14 · Como fizemos

De onde vêm os números

Tudo aqui vem de dados públicos oficiais: o resultado de cada seção eleitoral e a localização de cada escola onde se votou, publicados pelo TSE, e a renda das famílias de cada pedaço de bairro, medida pelo IBGE no Censo 2022. Os totais batem exatamente com o resultado oficial. Quando algo é estimativa, a página diz.

Passo a passo técnico
  1. Votos. Arquivo oficial de votação por seção do TSE, cargo Presidente, 1º turno de 4/10/2026. Os totais conferem com a totalização oficial: Flávio 56.104.503 e Lula 53.879.538 votos.
  2. Localização. Cadastro de locais de votação do TSE (2026), que traz latitude e longitude por seção. As seções foram somadas por local de votação. Ficaram de fora as seções no exterior, os locais sem coordenada válida e locais com menos de 20 votos em Lula+Flávio.
  3. Renda. Censo 2022, IBGE: rendimento nominal médio mensal das pessoas responsáveis por domicílio (variável V06004), por setor censitário. A renda do entorno de cada local é a média dos 12 setores mais próximos, ponderada pelo número de responsáveis. Salário mínimo de referência: R$ 1.212 (2022).
  4. Moran global e local. Pesos por 8 vizinhos mais próximos em projeção métrica (SIRGAS 2000 / Brazil Polyconic), padronizados por linha; municípios com contiguidade do tipo rainha. Significância por 999 permutações. Bibliotecas PySAL (libpysal, esda).
  5. Múltiplos testes. Com 94 mil testes locais, alguns agrupamentos surgem por acaso a 5%. Com a correção de Benjamini-Hochberg (FDR), .
  6. Migração entre turnos (2022). Votação por seção e comparecimento por seção do TSE, 1º e 2º turnos de 2022, pareados por seção. Regressão de Goodman restrita: cada linha da matriz entre 0 e 1 e somando 1, estimada separadamente em cada estado e ponderada pelos aptos; agregação nacional e regional ponderada pelos votos de origem; 200 réplicas de bootstrap por município.
  7. Simulação do 2º turno (2026). Votos do 1º turno de 2026 por região × matrizes regionais de 2022 para eleitores de Lula, Flávio, brancos/nulos e abstencionistas; Dirichlet para os eleitores dos eliminados. Choques aleatórios: oscilação de campanha (DP 1,5 p.p. dos válidos), mobilização dos abstencionistas (log-normal, DP 0,35) e repetição da assimetria de comparecimento de 2022 (fator k ~ Normal(1; 0,6)). 200 mil repetições.
  8. Modelo de pesquisas e consolidação. Média das três pesquisas pós-1º turno ponderada pela amostra; erro de 2,5 p.p. (erro sistemático 2,0, deriva até a eleição 1,5, amostral 0,5). A probabilidade consolidada é uma mistura meio a meio das duas distribuições. Ela é mais conservadora que somar as precisões, porque as duas fontes não são independentes.

O que estes dados não dizem

Bairro não é pessoa. Mostramos como votaram os bairros de cada faixa de renda, não como votou cada pessoa. Em todo local de votação há eleitores de todos os perfis.

Local de votação não é endereço. Muitos eleitores votam longe de onde moram hoje, especialmente quem mudou de bairro sem transferir o título.

Renda não é tudo. Usamos a renda de quem sustenta a casa, que não mostra patrimônio, escolaridade ou profissão. E os valores são de 2022.

O tamanho da área muda o resultado. Olhar por município ou por escola dá números um pouco diferentes. Por isso mostramos as duas formas.

Fontes oficiais